Truman Capote escreveu um dia que "A morte de um sonho é tão triste e dolorosa como a própria morte" e que por isso "merece o respeito e o luto daqueles que a sofrem".
É triste ver morrer um sonho, mais quando é um sonho de vida, um sonho que chegou a ser real, que foi alimentado, que nasceu, cresceu e agora definha à nossa frente. Pior é quando esse sonho se fez a partir de nós, de esforço, de lágrimas, de sofrimento, quando demos tudo por ele e o tudo não foi suficiente, porque pelos vistos o sonho precisava de mais, ou de coisas diferentes, ou de outra pessoa a tratar dele que não nós.
Há quem nos mate os sonhos, e a esses ganhamos ódio, depois desprezo, e com o tempo indiferença, que poderá até acabar em compreensão, e num entendimento amistoso, porque o tempo faz milagres, e todos aprendemos isso, precisamente, com o tempo.
E depois há os sonhos enterrados por nós, funerais que nos destroem tanto ou mais do que os outros, projectos de vida que deixam de o ser, pedaços da nossa existência numa ida sem volta, braços que se baixam com tudo o que isso significa. Quando matamos um sonho, quando nos decidimos a matá-lo, assumimos uma derrota, um falhanço, e vem então a frustração, a sensação de que somos uns falhados, de que não servimos para nada, de que somos uma merda.
O amor perfeito é um sonho que nunca se torna real, mas que por via dos filmes e das histórias de cinderelas queremos que nos apareça pela frente, queremos descobri-lo numa mesa de um café, num banco de jardim, na casa de um amigo, no elevador do local de trabalho, à porta de um bar no Bairro Alto ou no Facebook. O tempo - lá está, o tempo - vem mostrar-nos que os amores perfeitos têm a duração de uma vivência curta, porque depois vêm os problemas, as rotinas, vai-se o encantamento, some-se o frio no estômago, e o que fica tem de ter força para nos fazer querer ficar também. Mas quando ficamos, não podemos ficar por ficar, não nos podemos contentar com um passado que foi muito bom, mas que é passado. Não é. O presente é o que nós quisermos que ele seja, e se nós quisermos que ele seja igual ao passado não devemos deixar de lutar por isso. As surpresas existem quando queremos que elas existam, tal como os desafios, as loucuras, os planos atrevidos ou utópicos, os sonhos acordados, tudo é possível, basta querer-se.
Havendo sempre isso, haveria amores perfeitos. Mas nunca ninguém quer lutar sempre, nunca ninguém quer dar-se ao trabalho de lutar pela relação perfeita, e é daí que vem a resignação, o contentarmo-nos com o pouco que temos, o dar graças por isso, porque há gente muito mais infeliz e miserável.
Mas a vida não é isso. O amor não é isso. E quando o nosso presente é isso, quando o nosso amor está reduzido a isso, não é amor, é apenas o que resta dele, e o que resta dele não nos preenche, não nos alegra, não nos serve, faz-nos querer outro amor, faz-nos querer viver outros amores, os ardentes e apaixonados, os tais dos frios no estômago e das surpresas, o dos primeiros beijos e das descobertas.
Nunca devemos pensar que vamos viver o amor perfeito. Mas só lutando por um amor perfeito conseguimos viver o melhor amor possível. E então seremos felizes.
Há 5 horas
